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Novo equipamento representa grande avanço para a segurança dos trabalhadores na lavoura do cacau
O Equipamento Manual Para Quebra de Cacau (Theobroma cacao), uma inovação desenvolvida no Campus Uruçuca do IF Baiano, recebeu no último dia 13 de julho, patente de invenção concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A inovação é de autoria do egresso do curso de Tecnologia em Agroecologia, Helmut Norbert, e do professor do IF Baiano, Paulo Sabioni, hoje lotado no Campus Guanambi. 
A ferramenta começou a ser desenvolvida em 2010, com a ideia de ajudar produtores rurais do sul da Bahia a melhorar a técnica convencional de quebra do cacau (que consiste na separação das amêndoas da casca), um processo ainda realizado de forma insalubre e inadequada a padrões sanitários. Com a missão em mente, os pesquisadores iniciaram um projeto de pesquisa com o objetivo de criar um equipamento que pudesse otimizar a tarefa. 
Convencionalmente, a técnica manual ainda muito utilizada por pequenos, médios e grandes produtores da região se dá pelo uso de ferramentas simples, como o facão, e é quase sempre executada por duas ou mais pessoas. No entanto, o método apresenta risco de acidentes com os operadores, devido ao uso dos facões e a necessidade de sempre ter que se trabalhar com mais de uma pessoa. Outra preocupação é a possibilidade de contaminação das sementes, já que durante o processo há contato manual com o fruto, o que pode comprometer a qualidade de diversos produtos derivados do cacau, como o mel de cacau e o chocolate. 
Buscando solucionar estes problemas, os pesquisadores testaram diversos dispositivos até chegarem num equipamento leve, portátil, de operação manual e sem uso de energia, possibilitando a utilização em qualquer local, inclusive diretamente no interior das lavouras de cacau. Além disso, com o protótipo é possível trabalhar com apenas uma pessoa, de maneira segura, com higiene e ergonomia. 
“Após muita observação e tentativas, chegamos ao primeiro protótipo funcional, que chamamos de Protótipo 1, o qual é o objeto desta referida patente. Foram realizados testes no IF Baiano Campus Uruçuca, assim como também em algumas propriedades de produtores da região”, explica o pesquisador, Paulo Sabioni. Ele conta que, além desse, já foram desenvolvidos outros 3 protótipos, com o mais recente sendo ainda mais leve e eficiente.
Além de superar a técnica convencional de quebra do cacau, a invenção é uma alternativa aos demais equipamentos disponíveis no mercado, que são mecanizados e voltados para grandes volumes, sendo assim, inviável para pequenos produtores, que são a grande maioria na cacauicultura. 
“De um modo geral a cacauicultura ainda está muito atrasada com relação às novas tecnologias, principalmente na mecanização, com a maioria dos processos ainda sendo feitos como no início do século XX. É evidente que muitos fatores como o fato de a maioria das roças estarem associadas às florestas (Sistema Cabruca), topografias nem sempre favoráveis, tradições e fatores econômicos levaram a esse atraso tecnológico”, afirma Sabioni. “Mas, felizmente essa tendência está sendo revertida aos poucos e nosso equipamento vem para contribuir nesse sentido, principalmente por ser acessível a todos”, completa. 
Fomento à cultura da inovação no IF Baiano 
O equipamento de quebra de cacau é a terceira inovação desenvolvida no IF Baiano a ser contemplada com uma carta-patente este ano. Em março, o INPI concedeu a primeira carta-patente do Instituto ao processo de “Extração de amido do fruto da pupunheira (Bactris gasepaes Kunth)”, desenvolvido no Campus Uruçuca, e em 6 de julho, concedeu a segunda, pela criação de iogurte com adição de cogumelo, desenvolvido no Campus Santa Inês. 
Segundo o reitor do IF Baiano, Aécio José Duarte, a conquista de patentes contribui para o cumprimento da missão institucional e formativa do IF Baiano, amparada na Lei de Criação dos Institutos Federais e no Plano de Desenvolvimento Institucional, e que trata as atividades de ensino, pesquisa e extensão como indissociáveis. “Nós temos um campo imenso e grandes possibilidades porque atuamos em áreas e em condições diferentes e, na maioria das vezes, essas pesquisas e projetos que geram as cartas-patente estão dentro de um contexto regional do território onde nós temos nossas unidades. Isso é importantíssimo para a consolidação das nossas unidades, do nosso Instituto e da rede federal profissional, científica e tecnológica”, comenta o reitor. 
Entre 2015 e 2021, o IF Baiano depositou, junto ao INPI, 19 pedidos de patentes e 9 pedidos de registro de programas de computador. Com a aprovação de 3 patentes só no último semestre, vem se demonstrando o fortalecimento de um ecossistema voltado ao fomento da cultura da inovação e de um trabalho conjunto da comunidade acadêmica.
Para incentivar a pesquisa e a inovação e auxiliar pesquisadores na conquista de patentes, o IF Baiano atua por meio da Pró-reitoria de Pesquisa (Propes), a partir de duas frentes: com o gerenciamento de editais, disponibilizados com recursos próprios do IF Baiano associados às bolsas pagas pelas agências de fomento à pesquisa, e com o acompanhamento do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), o qual identifica as potencialidades dos projetos e orienta quanto à escrita da patente e procedimentos no registro da inovação.
“No momento, nossos editais contam com bolsas a partir do Termo firmado com a FAPESB, bolsas de Iniciação Científica provenientes dos editais do CNPq em 2020 e, ainda, bolsas pagas com recursos institucionais. Em 2020, em tempos de pandemia, a Propes lançou 18 editais de pesquisa e inovação, dentre eles, um muito importante, em conjunto com os campi. O fomento veio parte da PROPES e parte das Direções Gerais. O apoio dos campi mostrou que a relevância da pesquisa e da inovação não se dá apenas no âmbito da Pró-Reitoria. Trata-se de uma preocupação institucional”, explica a pró-reitora de Pesquisa do IF Baiano, Luciana Mazutti.
Quando os projetos geram inovação e seguem para o de registro de patente, há um processo longo e detalhado a ser cumprido. É onde está o foco da atuação do NIT, que busca intermediar o processo junto ao pesquisador e ao INPI. “A documentação é extensa e o INPI é muito criterioso. Nesse sentido, a Propes, através do NIT, que além de ter promovido o curso de escrita de patente em 2019, acompanha os projetos desenvolvidos no IF Baiano e acompanha de perto os(as) pesquisadores(as), mantendo um diálogo constante e sanando dúvidas, sempre incentivando para que todas as recomendações do INPI sejam atendidas”, complementa a gestora.
 
One thought on “Equipamento de quebra de cacau desenvolvido pelo IF Baiano de Uruçuca é patenteado”
  1. Parabéns à redação do jornal, excelente matéria. Em Canavieiras, segundo historiadores, foi plantado o primeiro cacaueiro da Bahia, sendo assim é de suma importância veicularmos informações dessa cultura.
    Sugestão: poderiam colocar um link de compartilhamento para whatsapp, desculpem senão localizei o botão.

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