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Enquanto que “por ironia”, no país que motivou a proibição mundial da cannabis, os EUA, o estado lucra bilhões e doláres com o negócio legal da maconha, por aqui, o retrocesso da mentalidade de setores conservadores da sociedade, pretendem acorrentar o país nas calabouços do atraso, ante a temática. 
Entretanto, a pauta está novamente no centro das discussões em Brasília e muitos investidores passaram a apoiar esse comércio, já que a rentabilidade supera o preconceito criado em torno do tema.
O assunto ganhou ainda mais destaque após a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovar, no dia 8 de junho, o projeto de lei 399/2015, que não só regulamenta como amplia as possibilidades de uso para além dos fins medicinais. Segundo o levantamento realizado pela empresa de inteligência de mercado de cannabis, a Kaya Mind, essa pode ser uma ótima oportunidade para o Brasil.
A regulamentação da planta poderia gerar 117 mil empregos e movimentar R$ 26,1 bilhões em quatro anos no país. 
O cálculo levou em conta a regulamentação de todas as formas de consumo, ou seja, medicinal, cânhamo (planta de cannabis) e recreativo. Considera, ainda, uma arrecadação de R$ 8 bilhões em impostos no mesmo período.
Mas calma: ninguém está incentivando o uso de algo ilgeal. Muito pelo contrário. Mas por que não abandonar um conceito ultrapassado e começar a pensar na maconha como forma de investimento?
Isso já é um pensamento concreto em diversos países no mundo, como nos Estados Unidos, por exemplo, no qual o mercado de cannabis é um dos principais em ascensão nos últimos anos. Existem negócios legais, listados em bolsa e com uma indústria enorme, com empresas de pesquisa, medicamentos, cultivo, distribuição e venda de maconha em regiões legalizadas.
A eleição do atual presidente americano, Joe Biden, também contribuiu para aquecer os ânimos de investidores. O governo democrata sinalizou interesse em legalizar a substância no país desde a campanha eleitoral e o resultado veio forte após Biden assumir o cargo.
Só em novembro de 2020, mês que Biden foi eleito, a rentabilidade mensal do primeiro fundo brasileiro a investir em ações do segmento, o Canabidiol FIA IE, da Vitreo, alcançou os 33,3%. A valorização anual acumulada no ano passado foi de 69,12% e o resultado para o período superou seu benchmark, o índice de ações americano S&P 500 (16,95%).
Já em 2021, os números continuam surpreendendo positivamente o mercado. De 25 de outubro de 2019 até 1º de março de 2021, o Canabidiol FIA IE entregou 123,30%, sendo 53,15% só neste ano.
Em relação ao uso recreativo, o estado de Nova York legalizou a medida para adultos com mais de 21 anos em 30 de março. O resultado? A geração de um mercado de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,8 bilhões) em 2023 – ano em que a nova legislação deve ter sua implementação finalizada.
O valor das vendas anuais chegará a US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 23,9 bilhões) em 2027, de acordo com um estudo produzido pela MPG Consulting para a Associação da Indústria de Cannabis Medicinal de Nova York. A conta inclui a receita com o uso medicinal da planta.
Diante disso, é impossível negar o ritmo acelerado de crescimento da nova commodity e que muitas pessoas já estão se aventurando no setor por entender as diversas possibilidades de lucro. 
A cannabis ainda tem um longo caminho a percorrer em solo brasileiro, pois precisa do aval do Senado e da sanção presidencial. Além disso, existe um período de amadurecimento e lenta estruturação de fiscalizações e políticas públicas por parte do governo, tempo que o mercado também usa para se adequar às normas e requisições necessárias da legislação em questão. 
Apesar das dificuldades, a regulamentação da maconha tem potencial para abrir uma nova esfera econômica no Brasil, sem contar o benefício gerado para a saúde de milhões de pessoas que são tratadas com remédios a base da planta.
A aplicação da cannabis em países desenvolvidos deixou claro que esse é um mercado bilionário e a abertura da B3 para esse segmento pode colocar a indústria em um ciclo de alta. Novas formas de fazer dinheiro estão a espera dos brasileiros e diversificar o cenário econômico é o primeiro passo para um país menos conservador e mais avançado financeiramente.
 

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